Queremos espaço para brincadeiras de rua
Os dois milhões de leitores assíduos devem ter sentido minha falta (ou só um pouquinho) nesses últimos 4 dias. No entanto existe um motivo muito bom para tal descaso com os fiéis. Deixei de lado os despendiosos brinquedinhos eletrônicos, para brincar com aquelas boas, velhas e sem custo, brincadeiras de rua. “bets”, como é conhecido por aqui aquela brincadeira de rebater a bolinha para que ela não derrube a ‘casinha pet’, é a minha favorita. Isso quando encontro alguém que goste como eu. Sedentários, sem chance. Ou quando o taco da construção ajuda.
Carrinho de controle remoto e boneca são coisas do futuro.
São produtos que fazem a alegria de algumas crianças, mas que arrancam gargalhadas mesmo, é de todos os fabricantes. Malditos marketeiros. Infelizmente as crianças gostam e os pais se desesperam para atender a vontade da ‘mulecada’. Os primeiros passos na concorrida vida adulta começa quando eles iniciam disputas para saber quem é melhor no videogame. E as frustrações também quando um deles nunca ganha. E as discussões e brigas, quando alguém sente que foi lesado. Pior se o dono do brinquedo monopoliza o seu uso.
Mas isso é coisa do futuro.
Voltemos ao passado. Legal quando a vizinhança está cheia de crianças com idade compativel. Alguns adultos adoram estragar a festa quando tentam mostrar suas habilidades. As crianças não gostam de concorrência desleal. Mas para brincadeiras em grupo é necessário um espaço que comporte a correria. Brincar de pega-pega exige um campo largo. E também um resistente chinelo. Arranhões no joelho, pontos na canela ou uma unha perdida fazem parte dessa dura rotina.
Um lugar cheio de árvores e obstáculos é ideal para se esconder. Essa brincadeira fica melhor ainda quando o número de crianças é grande. Top de line, se for na surda e calada noite. Impossível fazer isso em uma kitnet. O armário ficaria pequeno.
Amarelinha, elástico e futebol de meia são modalidades que exigem coordenação. Fácil quando se é criança, vai tentar depois de adulto pra ver. Corremos sério risco de contusões. Bolinha de gude, a conhecida bolinha de vidro, exige um terreno acidentado, preferencialmente de chão batido. Caso contrário o condicionamento físico será colocado em prova, para buscar a bolinha na ladeira.
A especulação imobiliária, e a insegurança das grandes cidades dizimam essas oportunidades. Antes de tudo são brincadeiras saudáveis, que tiram a criança do sedentarismo, e as colocam no convívio social. É legal quando os pais estão muito ocupados para dar atenção, aproveitar a companhia de outras crianças. Podemos saborear o poder da liberdade. Até um limite de horário, claro.
Se você se acha adulto demais e pensa, “que coisa de criança”, sempre que alguém te convida para relembrar essas brincadeiras, reveja seus ultrapassados conceitos. Experimente e perceba que os nossos problemas serão empurrados para o último lugar da fila do subconsciente. Diversão garantida. Risos garantidos. Uma simples brincadeira de mimica gera boas gargalhadas. Experimente!
Voltamos literalmente a ser criança. E como é bom ser criança! Feliz dia das crianças!!!
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