
A câmara de vereadores de Maringá nos últimos tempos tem sido tipicamente uma arena de entretenimento. Recentemente colocaram em votação uma proposta para aumentar o número de vereadores na casa. Gerou uma onda de protestos e fila para entrar na ‘casa’ no dia da votação. Proposta recusada, com certeza servirá como pretexto para futuramente aumentar o salário dos que ficam.
O mais recente ‘show’ é a discussão sobre o projeto de lei complementar que revoga o artigo 39 da Lei de Parcelamento do Solo, conhecido também como ‘lei das Casas Geminadas’. Vereadores sem camisa a parte, o fato é bastante sério e, ao mesmo tempo em que pode trazer muitos problemas para a cidade, possui também um lado perverso.
Em uma ponta, bairros estão se formando quase em sua totalidade com casas 2 em 1. Além de aglomerar muitas pessoas em um local, o trânsito pode se tornar um problema nesses locais para quem sai ou entra. Não estou falando da garagem. Que o digam os moradores dos bairros próximos ao câmpus da PUC-PR que precisam se dirigir até o centro da cidade nos horários de pico.
No entanto, isso é o que menos preocupa quem procura esse tipo de casa.
Preocupados ficam as grandes construtoras. Com a concorrência das geminadas, perdem vendas para quem pensa nas famílias de baixa renda. Até mesmo quem pode, não quer pagar milhares de reais em um ‘apertamento’, mesmo que em suaves prestações. Pelo menos não os que agem com a razão, sem colocar um tiquinho de emoção. O mesmo preço que pago em um apartamento aqui em Maringá, daria para comprar quase dois em Londrina no mesmo padrão. Fato!
Continua sendo um bom lugar para se morar. Mas ter que se sujeitar a esse tipo de situação é muito desanimador. Morar em Maringá é caro. As grandes empresas não colaboram! Isso aqui se tornou a China brasileira. Mão de obra barata, dando dinheiro para quem manda nessa região. Quem quiser concretizar algo nessas terras, terá que se aliar, ou rezar para que gostem da sua cara. Fato!
Se com elas a qualidade de vida fica comprometida, sem as geminadas, os conglomerados da construção tem caminho livre para tirar até o último centavo do bolso dos cidadãos dessa cidade. Não é bem o que queremos, ou é? Então, a prefeitura e alguns de seus vereadores não deveriam simplesmente afirmar que elas comprometem a cidade. O papel da prefeitura nesse caso seria planejar e concretizar meios para que as geminadas façam parte do cenário. Pelo menos é mais agradável do que um amontoado de prédios.
Ou vai dizer que esse monte de prédio sendo construído não causa o mesmo problema?
Apenas como exemplo, fizeram um tal de binário desnecessário, ao invés de pensar em outros meios de levar os motoristas de um ponto ao outro. Agora estão quebrando a cabeça para tirar as espinhas de peixe do centro da cidade. Vão gastar dinheiro quebrando, ao invés de pensar e gastar melhor construindo. Tão simples seria implantar uma linha de trem. Mas aí rola outro tipo de interesse e isso seria assunto para outro longo post.